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13/07/2011
Plano da Petrobrás é rejeitado de novo

Pela segunda vez consecutiva o Conselho de Administração da Petrobrás rejeitou o plano de investimentos da companhia para 2011-2015. Presidido pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, o conselho rechaçou também a proposta da estatal de repassar à empresa privada Sete Brasil os contratos do programa de modernização da frota petroleira.


Antes da reunião do conselho, a estatal havia enviado ao governo, segundo apurou o Estado, proposta de reajuste de combustíveis em torno de 10%. O aumento seria compensado pela Contribuição de Domínio Econômico (Cide), o que evitaria repasse ao consumidor e impacto na inflação, mas levaria também a reduzir a arrecadação do governo. A proposta foi descartada.

 

Ontem, na reunião realizada em São Paulo, a Petrobrás apresentou ao conselho um programa de investimentos cerca de US$ 25 bilhões acima do atualmente em vigor, de US$ 224 bilhões, referentes ao período 2010-2014.

 

O governo está empenhado em manter inalterado o valor do plano. A Petrobrás, por sua vez, com 681 projetos em pauta, terá de rediscutir o orçamento de um a um para determinar quais deles serão postergados ou reduzidos. Por enquanto, não estão sendo discutidos cortes de projetos.

 

A transferência da frota para a Sete Brasil não conta com a simpatia do governo. Segundo o Estado apurou, a presidente Dilma Rousseff repudiou a proposta, por enxergar nela um projeto de esvaziamento do Programa de Modernização da Frota (Promef) e da própria Transpetro. O veto da presidente se confirmou na apreciação do conselho.

 

Passar a nova frota da Transpetro para a Sete Brasil é uma proposta que não encontra consenso nem mesmo na própria Petrobrás. A estatal tem apenas cerca de 10% de participação na Sete; os demais 90% estão divididos entre os fundos de pensão Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobrás), Valia (Vale) e Funcef (Caixa) e pelos banco privados Bradesco e Santander.

 

Caso a proposta fosse aprovada, as 49 embarcações - 41 contratadas e 8 a serem licitadas - planejadas pelo Promef, orçadas em torno de US$ 5 bilhões, passariam do atual controle estatal para o privado.

Nacional. A Sete é uma holding nacional que controla uma empresa com sede na Áustria, para poder usufruir de incentivos fiscais na importação de máquinas pesadas do setor de petróleo. A empresa planeja abrir capital em alguns anos.

 

A Petrobrás decidira apresentar o plano estratégico em 13 de maio, quando divulgou o resultado do primeiro trimestre, com lucro recorde de R$ 10,985 bilhões. Não houve, na ocasião, consenso sobre o orçamento.

 

A próxima reunião do conselho está marcada para o fim de julho, mas a estatal pode convocar uma extraordinária, caso encontre solução para o impasse.

 

O fato é que, internamente, a diretoria da Petrobrás diverge das propostas apresentadas ao conselho. No caso da transferência das embarcações para a Sete Brasil, o projeto não chegou ao conselho de modo unânime.

Fonte de artigo: O Estado de São Paulo


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